Categoria: Agricultura Familiar

Agricultura familiar Agricultura Familiar

Importância da Agricultura Familiar

A produção de alimentos na mesa dos brasileiros

A importância da agricultura familiar é garantir a biodiversidade local e também, a sobrevivência de espécies nativas. Além de, é claro, valorizar e fomentar o trabalho campesino, que fornece alimentos de qualidade e segurança alimentar para as famílias de todo o país.

Com apenas 1/5 das áreas agrícolas do Brasil, os pequenos produtores fornecem 1/3 da produção total de alimentos, o que demonstra sua alta produtividade e a importância da agricultura familiar. Além disso, a agricultura familiar é responsável por mais de 80% dos empregos gerados no campo, o que contribui para a contenção do êxodo rural e todos os problemas que isso acarreta, pois garante trabalho e renda para quem vive no campo.

Os agricultores familiares possuem lotes de terra de até quatro módulos fiscais, mão de obra da própria família e de alguns assalariados, renda familiar vinculada ao próprio estabelecimento e é gerenciado pela própria família. Portanto, outra característica é que esse seguimento da economia não emprega uma grande quantidade de maquinários devido ao tamanho das propriedades, não havendo portanto, a substituição do trabalhador do campo pelos equipamentos. O escoamento da produção costuma ser local, o que reduz também os gastos com transporte e o impacto na distribuição dos alimentos.

Situação atual da agricultura no Brasil

Apenas 23% da área total dos estabelecimentos agropecuários brasileiros é ocupado por agricultores familiares segundo o censo agropecuário de 2017. Esse dado indica uma disparidade revoltante, já que estamos falando de produção de alimentos.

Em contrapartida, commodities como cana, soja e milho, que alimentam indústrias de ração animal e biodiesel ocupam os outros 77% da produção, recebem incentivos fiscais e têm facilidade para obter empréstimos para a compra de terrenos, máquinas agrícolas e sementes. Vale ressaltar que, atualmente, o STF está discutindo a isenção dos impostos sobre os agrotóxicos, o que geraria um déficit de arrecadação de mais ou menos 10 bilhões de reais ao país.

Vale lembrar que, segundo o Anuário do Agronegócio, as indústrias produtoras dos chamados “defensivos agrícolas” tiveram receita líquida de cerca de R$ 15 bilhões em 2010, e 92% desse total são controlados por empresas de capital estrangeiro.

Ou seja, o plano do atual governo é investir em indústrias de agrotóxicos estrangeiras, facilitar a produção de uma agricultura que a maior parte não serve para a alimentação humana e é, em grande parte, destinada à exportação (e que, de acordo com os níveis de toxicidade logo não serão aceitos no mercado externo), além de, é claro, contribuir para o aquecimento global, invadir áreas de conservação ambiental, poluir o lençóis freáticos, criar áreas de desertificação, adoecer biomas e pessoas.

Soberania alimentar : o direito a escolher uma alimentação saudável

O conceito de soberania alimentar foi definido formalmente pela Via Camponesa como “o direito de cada nação a manter e desenvolver os seus alimentos, tendo em conta a diversidade cultural e produtiva”. Em resumo, ter soberania plena para decidir o que se cultiva e o que se come. As políticas agrícolas e alimentares atuais, no entanto, não o permitem. Quanto à produção, muitos países viram-se obrigados a abandonar a sua diversidade agrícola a favor de monoculturas, que só beneficiam um punhado de empresas.

A essência da soberania alimentar reside em “poder decidir”: que os agricultores possam decidir o que cultivam, que tenham acesso à terra, à água, às sementes, e que os consumidores tenhamos toda a informação sobre o que consumimos, que possamos saber quando um alimento é transgênico ou não. Tudo isto hoje é impossível. Especula-se com a terra, privatizam-se as sementes, a água é cada dia mais cara, com a etiqueta de um produto mal sabemos o que comemos. Essa é a importância da agricultura familiar: saber de onde veio, como e quem produziu o seu alimento.

Agricultura familiar: Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS) na prática

São 17 objetivos globais traçados pela ONU para o desenvolvimento sustentável do planeta até 2030. A finalidade dessa agenda é retardar o aquecimento global, a crise hídrica e climática, e principalmente, facilitar o acesso e o exercício dos direitos humanos (moradia, trabalho, estudo, saúde, alimentação, igualdade, expressão).

A agricultura familiar contempla diretamente 8 dos 17 ODS, pois fomenta o desenvolvimento econômico sustentável:

2-acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição através da promoção da agricultura sustentável

6-assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos

8-promover o crescimento econômico sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos

10-reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles

11-tornar as cidades e assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis

12-assegurar padrões de produção e consumo sustentáveis

13- tornar medidas urgentes para combater as mudanças climáticas e seus impactos

15-proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade.

Quais são as alternativas práticas para obter alimentação saudável e o desenvolvimento de uma economia sustentável?

Agroecologia, Cooperativismo agrícola e Feiras Livres que fomentem a tradição e a economia local

É necessário que cada indivíduo se conscientize sobre o que está consumindo e para onde o seu dinheiro está sendo destinado.

Financiar o agronegócio e, de quebra, brincar com a roleta russa do câncer não pode ser a melhor opção mas muitas vezes é a única que temos.

É necessário que todas as pessoas tenham acesso físico e financeiro aos alimentos saudáveis. Seja plantando alimentos orgânicos por conta própria, criando uma horta urbana ou frequentando feiras livres. E para isso, precisamos criar redes que englobem todo o processo produtivo, desde as sementes para a agricultura até a compostagem dos resíduos que consumimos.

Apoiar cooperativas de agricultores familiares, principalmente as que praticam a agroecologia e, ou, plantam alimentos orgânicos é de suma importância para o desenvolvimento sustentável de todos. E também, é claro, cobrar do governo atitudes que beneficiem primeiramente o povo brasileiro e não grandes corporações.

Iniciativas que põem em contato produtores e consumidores, que estabelecem relações de confiança e solidariedade entre o campo e a cidade, que fortalecem o tecido social, que criam alternativas produtivas no quadro da economia sustentável merecem investimento do governo e um olhar mais atento de nós, consumidores.

Agricultura Familiar

A Casa Livre

Quebramos a barreira entre o natural e o urbano.

A Casa Livre é um espaço onde a integração do indivíduo à natureza ocorre de forma sistemática, prática e lúdica através de oficinas, palestras e cursos para todas as idades. Abordamos de forma multidisciplinar o cuidado com a natureza, de si e da comunidade, desenvolvendo um olhar que busca por soluções e o manejo sustentável dos recursos disponíveis.

Projeto Paisagístico Residencial

Jardins, pomares, quintais, varandas, sítios e janelas podem ser verdes e produtivos. Melhore sua qualidade de vida e habite uma bela paisagem planejada de acordo com as suas necessidades.

Projeto Paisagístico Comercial

Crie uma identidade e agregue valor à sua loja, escritório, restaurante ou empresa com simples intervenções paisagísticas. Compomos ambientes agradáveis que podem diminuir ruídos, stress dos funcionários e até mesmo o uso do ar condicionado.

Projeto Paisagístico Urbano

Aleias, praças, parques funcionais e acessíveis à todos melhoram a qualidade do ar nas cidades, sensação térmica, além de criarem espaços para o lazer, atividade física que consequentemente, impactam na qualidade de vida das pessoas.

Implantação de Hortas Urbanas

Hortas urbanas fortalecem as comunidades e a sensação de pertencimento de seus habitantes. E claro, criam uma nova economia e uma maior qualidade e acessibilidade aos alimentos orgânicos.

Consultoria e manejo de espécies botânicas nativas

Projetos que priorizam o uso de espécies nativas para regenerar o solo e ambientes degradados como mata ciliar e terrenos usados para a monocultura.

Barreiras Acústicas

Espécies botânicas plantadas com essa técnica diminuem os ruídos, poluição e a sensação térmica drasticamente.

Educação Ambiental

Mini cursos livres, abertos à comunidade e Módulos semestrais para escolas públicas e privadas. Aulas multidisciplinares aplicadas ao PNAE ( Programa Nacional de Alimentação Escolar) e PPP (Projeto Político Pedagógico) com o intuito de melhorar a nutrição e aceitação de alimentos frescos nas escolas e também, facilitar a compreensão de matérias como geografia, biologia matemática, português e história através do contato com a terra.

Organização de Eventos com foco em agricultura orgânica, paisagismo biofílico, PANCS, sustentabilidade, smart cities, etc

O manifesto Casa Livre

Deixamos de ser nômades, domesticamos bichos e plantas, construímos casas, criamos modelos políticos, cidades, avenidas, meios de transporte, fronteiras. Aumentamos nossa expectativa de vida através da urbanização, do desenvolvimento tecnológico e científico. Mas com o tempo, nosso avanço civilizatório foi ficando com cara de retrocesso. Nossa sociedade destrói, mata bicho, planta e gente sob a bandeira do progresso. Nos alimentamos mal, temos doenças físicas, psicológicas, nos sentimos vazios e consumimos em excesso. Temos uma diversidade imensa de alimentos instagrâmicos disponíveis nos supermercados (que mais parecem uma roleta russa do câncer). Temos biomas riquíssimos, protegidos por leis cheias de brechas. Selamos nossas ruas com asfalto e sofremos com as chuvas que transbordam o retrato do consumismo desenfreado. A sede de poder parece maior que a necessidade de água. Enquanto a água completa seu ciclo natural, os rios canalizados não podem mais ter peixes e só devolvem o lixo. Lixo esse, que um dia foi matéria prima, retirada diretamente da natureza. Vê?O meio ambiente segue as leis da física: nasce, vive, morre, se transforma, circula. E é vivo por isso, porque se movimenta. A natureza nos empresta seus pedaços para andarmos por aí, criarmos nossas casas, objetos, alimentos. Mas ela espera uma devolução. Mesmo que o empréstimo seja vitalício, ela aguarda o retorno. E o que estamos devolvendo? Nós apenas, em uma forma polida de dizer, descartamos. E assim, pouca água fresca e quase nenhuma sombra é o que nos resta. Crise hídrica, climática, econômica, política; os atritos vêm de todos os lados e nos sentimos culpados, incapazes, a crise parece ser existencial. Somos natureza. Da bateria do seu celular, até o tecido sintético da roupa fast fashion, ao tecido que estrutura a ponta do seu dedo rolando esse texto na tela, tudo é parte da natureza. Olhe ao seu redor. A natureza habita cada pedacinho de você e também tudo o que está aqui e aí. E a natureza dá com fartura, basta respeitá-la e aprender com ela. A natureza é mãe, alimento e casa. Devíamos ter consciência de que ela é parte do dia a dia.Uma sociedade mais justa pode ser construída com uma guinada neste caminho cinza que habitualmente seguimos. Precisamos reaprender a utilizar as matérias primas. Precisamos direcionar nossos avanços tecnológicos em consonância com o que somos, verdadeiramente. Vamos plantar, colocar vida em cada canto asfaltado, vamos escolher políticas que protejam nossa casa, nosso alimento, nossa educação, nosso desenvolvimento. Aliar a tecnologia ao desenvolvimento sustentável é criar a chamada cidade inteligente: Precisamos demandar que empresas pratiquem a logística reversa, ampliar as possibilidades de reciclagem, valorizar a terra, a agricultura familiar, os produtores locais, viabilizar a agricultura orgânica nas cidades, expandir a produção e o acesso a fontes de energia limpa, promover o acesso universal à saúde, educação, moradia e principalmente, consumir de forma consciente. Precisamos usar nossas tecnologias para criar unidade, para beneficiar a todos. Tudo é natureza. Só existe natureza. Matá-la é suicídio, enquanto cultivar é viver. Bertolt Brecht escreveu no século passado: “Não aceites o habitual como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar.” A mudança está ficando cada vez mais tangível e necessária. Nossas ações aqui em Mariana são palestras e workshops, projetos ambientais, sociais e educacionais. Se você está aqui, venha participar das atividades da Casa Livre. Se você está longe, pode replicar os projetos por aí, é só falar com a gente. Seguimos, aprendemos : )